segunda-feira, 23 de abril de 2018

reminiscência

A solitude, de Camille Corot.

Quando era mais criança, ansiava por ter amigos, gente que gostasse das mesmas coisas que eu e com quem me identificasse. É o tipo de sentimento que todo mundo já teve, tenho certeza disso, mas neste caso, só falo por mim, mesmo porque não tenho permissão para falar sobre experiências que me foram contadas ou que não conheço.

Era um garoto de poucos amigos e conhecidos, mas de muita vivacidade quando aproximado, aquela mistura de criança quieta e dada, sem ser arredia. Gostava de brincar só, no meu canto, e assim cresci. Lembro do costume de fazer bonecos de papel, copiados de revistas em quadrinhos. Tudo muito simples. Era uma pequena diversão que tomava horas; eu tentava achar um modo de deixar aquele brinquedo bidimensional em pé sem que ele tombasse para frente ou para trás, fazia pezinhos que me permitissem colocar os bonecos em pé e montar cenas, coloria tudo, tentava fazer roupas. No final, não conseguia brincar muito bem com os bonecos, muito frágeis, mas me divertia – e eventualmente passava raiva – na montagem deles.

domingo, 8 de abril de 2018

Um dos pontos da vida é notar que sobre muitas coisas não há controle: você não decide em qual família nasce, sua cor, sua orientação sexual, suas características físicas, se vai perder cabelo no futuro, sua imunidade e probabilidade de ter certas doenças, os sentimentos que surgem e que se vão em relação a certas pessoas. Nada disso envolve escolhas de um modo absoluto.

A vida é um jogo de dados no escuro, jogado antes mesmo de você colocar seu pino no tabuleiro, e ela vai te levando de roldão. Se não souber lidar com isso, muita energia será gasta, e a chance do desespero lhe dominar em alguma parte do seu caminho será considerável. Fora disso, muito é mutável e passível de escolha, e é aí que entram o elemento humano de mudança e a coragem de encarar nossos parâmetros, que não escolhemos, e moldar nosso presente e futuro, que temos possibilidade de mudar, ao menos um pouco.


Viver não é nada simples

quarta-feira, 31 de maio de 2017

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

não basta ser branco
não basta ser homem
não basta ser velho
não basta ser rico
não basta ser tudo aquilo que já basta.

ainda por cima conspira
nomeia a criatura noturna
entrega a balança ao sicário
perpetua a infâmia de quem derribou e a aprofunda.

faz o que não convém a todos
e age à sombra, na calada
temendo o uivo e a vaia.

uma terra colossal,
que um pávido governa:

sob um signo ruim se apequena.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Os anos nem sempre trazem maturidade; às vezes, vem só a intransigência.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Quem se preocupa em demasia em "ficar de olho" nos outros tem um olho mau, que perscruta mas não analisa; um olho que apenas confirma o que havia definido de antemão.